coisas do gomes
Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
terça-feira, março 08, 2005
 
INSTANTÂNEOS
apontamentos (3 de Março de 2005)

-Os registos civis são óptimos para conhecer mulheres: se lá foram, o mais provável é serem divorciadas.


-Há vezes em que dou comigo a tentar inventar pensamentos filosóficos só porque apoiei o queixo no punho, ao jeito da estátua de Rodin. Não haveria qualquer razão circunstancial para ter esses pensamentos, mas resultaram da posição, um inconveniente tique de estilo.

Outras vezes puxa-me a melancolia porque ponho a cabeça nas mãos, ou tapo os olhos porque os estou a esfregar, e penso que deveria estar chateado por esta ou aquela razão. Mas não estou.

É como se o corpo me estivesse a dizer coisas que não sinto mesmo. Ou como se outra entidade exterior, outra pessoa, me dissesse que deveria isto ou aquilo. Mas não choro quando limpo os olhos, nem filosofo quando descanso a cabeça. Eu nunca faço o que me dizem para fazer.


-O Pocinho começa-me a inquietar. Reencontro pessoas, relembro os momentos passados naquela cama, e a noite transforma-se (ou nada disso, é apenas o quarto quente e o colchão de espuma que me fazem desejar). Acordo tantas vezes como na noite que lá passei com ela. Masturbei-me uma vez, apenas ao início da noite, mas o desejo continua, inconquistável, pela noite fora. Já terei tido milhões de sonhos eróticos, só me lembro de poucos, mas como este nunca tive, desenhado duma maneira agradável para a minha virilidade. Eu e duas mulheres incríveis, e eu a saltar duma para a outra, o sexo, enorme, pulsando vida e força. Eu, um Deus da sexualidade.


-Gostava de saber insultar. Coisa do Norte, dizem, mas impossível para mim, não consigo descortinar porquê. É estranho vir da Póvoa, terra de peixeiras de coxa grossa e voz forte que, de tanto insultarem os peixes, têm vários nomes para cada um. Ainda mais estranho é o meu pai ser transmontano. Segundo a minha mãe, poveira e minhota, enquanto um minhoto parte um prato um transmontano mata um homem. Eu nem partir pratos* nem matar homens, nem mesmo matar homens com pratos partidos.

Sempre que quero insultar algum indivíduo chamo-lhe trengo, demagogo, estúpido. Isto já nem é à mouro, nem à mariquinhas; isto nem na África sub-sahariana. Vou-me candidatar a um estágio nas Caxinas. Ou no mercado do Bolhão.

*Hoje, recrimino-me, parti um prato. Mas não mato homens. Ainda.


-O Gato Fedorento nunca funcionaria feito por nortenhos: o humor inteligente não se perceberia no meio de tanto asneiras.

-Até os sketches deles que são estereotipados conseguem ser geniais.

-'Você vai quinar'. Algum nortenho de gema diria uma idiotice tamanha? 'Tu bais morrer, caralho! Bais bater a bota! Bais fazer tijolo!' Agora 'Você vai quinar'? 'Bocê bai passar desta para melhor', isso sim!




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