Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
-Ela é linda de morrer. Ou talvez linda de desmaiar. Tem a testa alta. Nunca pensei considerá-lo apelativo, mas já gostei de raparigas de testa alta. Uma delas era a menina do Triângulo Jota. Os óculos de massa também são um turn on. O corpo não é convencional, definitivamente. Ainda bem.
-A minha mãe conta-me dum morto que iria surgir na necrologia sem gravata. A mulher, que desejava na sua última recordação com a gravata, mandou pintá-la sobre a fotografia. Nem mortos nos deixam.
-A familiaridade destes encontros surpreende-me a cada segundo. Como o escritor cubano que faz questão de cumprimentar o senhor do microfone.
-Demiúrgico? O que raio é demiúrgico?
-"Já dizia o alentejano: chuva em Novembro, Natal em Dezembro.", relembra Onésimo Teotónio Almeida.
-Admiro-me com a presunção dos cidadãos (habitantes de cidades) que se indignam contra as torres, contra os maciços de betão, contra todo e qualquer edifício de habitação colectiva. Exigem espaços verdes, o 'desafogar' do espaço da cidade. Mas consideram inviolável o direito de terem a sua casinha com respectivo logradouro, esquecendo que cada casa e respectivo terreno ocupam muito mais solo do qualquer edifício de apartamentos. Insurgem-se contra os engarrafamentos, mas são eles que os causam. A busca pelos terrenos para as casas leva-os ao subúrbio, donde só se sai de carro. Assim, atacam tudo o que lhes desagrada nas cidades, fingindo ignorar (ou ignorando mesmo) que fazem parte do problema.
-O Pedro Sena-Lino é despudorado, ostensivamente inovador. Qual velha passeando as suas lantejoulas e peruca, nua da cintura para baixo, ouvindo Franz Ferdinand no iPod e abanando a bunda como a Kelis. Tem piada, o puto.
-A Luísa Monteiro aparenta ser a estereotipada nerd. O pescoço inexistente, o cabelo fora de tempo, os óculos. Tem um ar desprotegido. Mas quando fala transfigura-se. A voz, quente, segura, faz-me esquecer o seu ar aparvalhado. Assim tão longe, então. Fechei os olhos e perdi a noção do espaço. Ela lê o seu diário. Não frases soltas, desconexas, como as minhas, mas pensamentos profundos duma tarde na Póvoa. As palavras são mesmo microcosmos de invenção. A realidade é a desculpa que precisávamos para começar a escrever. As palavras serão a nossa salvação.
-Gostava de não ter sono, apenas escrever entre uma noite e a outra. Aí podia descansar.