coisas do gomes
Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
terça-feira, novembro 30, 2004
 
RECORRÊNCIAS
recrimino-me intensamente pelo texto que se segue*

Há, em todos gestos do quotidiano, uma história que os justifica. Desde o dobrar dos guardanapos em triângulo até ao assoar do nariz ao papel higiénico, desde o zapping maníaco-depressivo ao espancamento da mulher com um cinto e dois alguidares, nada simplesmente surgiu do nada. Muitas poucas coisas, pelo menos.

O acto de pedir desculpa é um deles. Certamente que houve uma qualquer altura da história (estimo que sensivelmente entre Tutankhamon e D. Afonso Henriques) em que a civilização já existia e as relações humanas normalizadas, e em que a desculpa ainda não tinha sido inventada. Quando o marido fazia algo de errado e a mulher resmungava, ou degenerava em batalha campal ou em sexo apaixonado. Ou as duas coisas. Exactamente o mesmo acontecia nas querelas entre nações. Foi então inventada a desculpa. Por um lado assegurava acordos entre chefes sem necessidade de batalhas, sempre muito sangrentas. Por outro lado, os maridos conseguiam sempre assegurar sexo apaixonado, apesar de terem feito asneiras.

O acto de pedir desculpas, entretanto, quase desapareceu, sendo substituído pelo inócuo ‘a culpa não foi minha’, terrível para as relações sociais mas óptimo para o ego. Quando ouviram pela última vez ‘desculpa, a culpa foi toda minha, distraí-me com as horas e por isso cheguei quinze minutos atrasada’. Já nem se lembram, né? Recorrente é ouvir ‘Duas horas que estiveste à minha espera? Isso não é nada, comparado com a hora que passei para me darem o novo cartão do telemóvel e a meia hora que perdi no trânsito e…’ E se tu respondes ‘É assim, se tivesses chegado mais cedo – já nem digo a horas, digo uns quinze minutos mais cedo do que chegaste – podíamos ter visto qualquer filme, mas agora já começaram todos. Tu é que insististe em vir comigo, eu podia perfeitamente ter vindo sozinho. Agora perdi a única oportunidade de ver aquele filme, e…’ o mais provável é responderem ‘Ehpá não tás a ver o frete na loja da Optimus. O que eu não passo…’.

De onde surgiu este novo trejeito comportamental? Por mais que investigue não consigo compreender. Tenho de ver mais a Quinta das Celebridades, talvez a resposta esteja aí.




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