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terça-feira, novembro 02, 2004
POLI TIQUES Rui Rio
Este não é um blogue de política nem de desporto, nem de escândalos nem de modas, nem de sexo ou de piadas: é o meu blogue. Não se rege por audências, ópio dos inseguros e indecisos. Não procura a iluminação dos leitores ou a resposta às perguntas essenciais. Não quer dizer nada de realmente importante. Apenas a minha opinião.
Basta de coisas sérias. Vamos falar do Rui Rio, presidente da Câmara do Porto. Quando ele ganhou as eleições pareceu-me uma figura estranha, e essa impressão nunca se desvaneceu. Imaginem todos os candidatos que se perfilam aquando duma eleição. Independentemente das suas cores políticas, poucos serão capazes de ser bons presidentes. Alguns até o poderão ser. O Rui Rio nunca me pareceu ter qualquer perfil para um bom presidente; ele apenas é presidente porque foi eleito. Passado algum tempo já da sua eleição, a ideia que transparece é a duma pessoa com algumas ideias correctas utilizando métodos errados. Enumeremos.
A aposta na reabilitação, quer de bairros camarários quer da zona histórica, foi uma política acertada. No entanto, esta vontade política surgiu como o contrário do 'surgimento de novas frentes'. Ambas são compatíveis, e como dizia há uns dias o arq. Nuno Grande, uma cidade não pode apenas optar por a ou b, mas a+b. Reabilitação mais Novas Frentes. Poderia ser 4xReabilitação+1xNovasFrentes, se esse fosse o caso. Mas o fundamentalismo de Rui Rio levou-o a tentar dinamitar oportunidades fantásticas de consolidação urbana como o PPA (Plano de Pormenor das Antas), apenas porque era 'muito denso'. Ora, numa cidade não existe o 'muito denso', principalmente numa zona tão bem servida de vias de comunicação como a das Antas (metro, VCI). Esta renegação da densidade vinha com o slogan do 'Porto mais verde', e levou a certos comportamentos ridículos, como no capítulo do Parque da Cidade. O projecto de Souto de Moura era um remate urbano para a estrutura verde, feito em terrenos que nunca foram pertenceram ao Parque (Feira Popular), mas para onde este ia expandir-se. Um Parque Urbano é rodeado de urbanidade. O único problema do projecto era a sua componente de luxo, que excluiria todas as outras classes sociais duma zona tão priveligiada. Mas nem foi esse o problema referido.
Uma boa política do executivo de Rui Rio passou pelo acabar das obras da Porto 2001, cujo ponto crítico era a zona dos Leões e de Carlos Alberto. Durante o Porto 2001 fizeram-se obras rocambolescas: o retomar dos eléctricos no centro foi pensado, mas as ligações entre diferentes troços da linha não foram feitas. Ou seja, nada de eléctrico. Rui Rio avançou nos Leões e na envolvente do St. António, de modo a acabar a renovação da área e ligar as linhas de eléctrico. Na praça de Carlos Alberto, o projecto de Virgínio Moutinho foi 'apenas' ignorado (aparentemente por uma questão de gosto, segundo o vereador do urbanismo, Ricardo Figueiredo) e foi retomado o desenho original da praça. Todos os projectos desenvolvidos pela Porto 2001 foram, de formas mais ou menos aberrantes, adulterados pela câmara, e não houve qualquer tipo de consulta aos escritórios que os desenvolveram, o que gerou disparidades entre o que foi projectado e o construído. Isto porque muitas das alterações da câmara surgiram depois de os projectos estarem construídos. Houve também determinados erros projectuais que levaram à situação actual, de um grande desnorte.
Entre outras imbecilidades avulsas, existe um projecto da câmara de construir um parque de estacionamento em frente aos Paços do Concelho, apesar de ser uma zona servida (num futuro próximo) pelo metro. Não existe, aparentemente, uma política de mobilidade.
Existem coisas boas, mas não tenho disposição para falar nisso. Deixo isso para os apoiantes do homem.