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domingo, setembro 26, 2004
INSTANTÂNEOS nas conferências (2)
Os arquitectos não são uma raça distinta das outras. Mas são, no mínimo, uma sub-espécie rara. Parecem manequins da Springfield, com o mesmo ar alheado e sonhador. As arquitectas, essas, parecem ter esquecido toda a sua feminilidade numa qualquer prateleira da Springfield.
Como mais nenhuma profissão, os arquitectos pensam ser os “últimos originais” e os eternos “batalhadores da grande causa”. Mesmo quando se vestem são incrivelmente originais, optam todos pelo “estilo do arquitecto”. Não é betinho, não é junkie, é algo intermédio. Tem estilo, não é roto, pode ser de designer, mas não pode, nunca mas mesmo nunca, ser Paul&Shark, Sacoor Brothers, Tommy Hilfiger, ou Lacoste. Mas pode ser Springfield, Pull&Bear, Feira da Ladra, Do Pai. Talvez aqui seja o único ponto em que se cruzam as indumentárias. O betinho pode usar as roupas do pai ou do irmão mais velho. O arquitecto usa muita coisa, inclusive roupa da mamã, se se propiciar.
Existem os arquitectos limpinhos, barbinha feita e cabelo no sítio. Exsitem também os arquitectos maltrapilhos. Se virem a passar na rua um tipo com a barba grande mas com zonas enormes sem pêlos, o cabelo mal-cortado e com três tons diferentes, irritações cutâneas no pescoço e nos braços, o cigarro esquecido no canto da boca, mas que pareça que acabou de assaltar uma loja do Adolfo Dominguez, não se enganem. Não é um arrumador, é um arquitecto maltrapilho.