Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
sexta-feira, agosto 06, 2004
INSTANTÂNEOS retrato da desolação
Este é o meu primeiro Verão sem férias. Compenso trabalhando pouco, praiando aqui e ali e passeando sempre que posso. É estranho, estou a fazer o meu estágio e tudo está a correr assim assim, mas as coisas que vou fazendo perdem rapidamente o sentido. Trabalho um dia por semana em Figueira de Castelo Rodrigo. O carro fica no Pocinho (Foz Côa), para onde vou de comboio. Trabalho sempre às quartas, mas fico sempre mais um tempinho para estar com os amigos. Aos fins-de-semana encontro-me com o grupo ultra-secreto mari, para participar num igualmente ultra-secreto projecto. Se ando a fazer pouco na minha vida profissional (ou seja, para o estágio), a arquitectura de fim-de-semana também anda a motivar-me pouco. E ando a ler muito, e a escrever pouco.
Vejo a leitura, mais do que um prazer, como um investimento, mas para quem está de fora parece que levo uma boa vida. É verdade que levo uma boa vida (ok, aí têm razão), ainda não pago as minhas contas. Mas um escritor, para escrever bem, tem de ler imenso. Grande parte da sociedade (o meu irmão incluído) vê um escritor como o tipo que devia era trabalhar (como o Bush disse ao Michael Moore). Ou seja, sou um pária. E como tenho o curso de arquitectura, devia era estar a fazer casinhas, e não a escrever.
Em Setembro vou à Catalunha, e penso visitar um ou outro ateliê em Barcelona, a ver se me emprego. Nesta última frase estão dois dos paradoxos do que é a minha vida neste momento. Sempre quis morar uns tempos em Barcelona, mas agora coincide com um momento em que busco apenas estabilidade, de preferência morando e trabalhando na Póvoa. Acontece que o único bom arquitecto cá da Póvoa rejeitou-me pela segunda vez. Merda. O outro paradoxo é que vou a Barcelona e vou "visitar um ou outro ateliê", mas não vou com o objectivo específico de encontrar emprego por lá nem levo portefólio preparado. Isto porque nem sei se quero ser arquitecto, por isso não me consigo concentrar em nada que tenha a ver com isso.
Por todas estas coisas, dá-me assim uma neura. O tempo esgota-se tão rápido, há tanto para fazer, e sinto-me tão sozinho...