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quinta-feira, junho 17, 2004
RECORRÊNCIAS Baixo Sabor
A decisão da construção da barragem do Baixo Sabor, quando me foi transmitida, não me suscitou grandes sentimentos. Não sei se por um sentimento derrotista em relação ao governo, se por ser já certa a construção. Não sei porquê. Mas fiquei aborrecido.
O Sabor é considerado um dos únicos rios na Europa ainda virgens na corrida humana ao 'desenvolvimento'. A natureza, por lá, ainda é rainha, mas apenas porque "nós" ainda não estragamos tudo. É certo que houve uma fortíssima desertificação nesta zona, as pessoas foram perdendo a vontade de lá morar. Mas não é necessário ter todos os cantos de Portugal ocupados. A única maneira de termos um país completo é termos zonas com forte densidade populacional, e outras com pouca ou nenhuma. As densidades do litoral não se podem aplicar a todo o país. Não é lógico.
Uma das razões que o governo apresentou para a construção da barragem foi, por incrível que pareça, ecológica. Querem ir de encontro às metas da União Europeia de aumento das energias renováveis. Que atitude louvável! A UE pede na realidade isto, mas energias renováveis "que não a hídrica". Eles não o proíbem, mas preferem as alternativas. A energia hídrica, dentro do universo das renováveis, é a mais aliciante. No entanto, é extremamente brutal para o meio em que se insere.
O que o governo deseja é destruir um rio único, com um eco-sistema quase incólume, para salvaguardar o ambiente. Isto pode fazer sentido em muitas cabeças. Na minha não.