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domingo, maio 09, 2004
RABO QUADRADO Pampilhosa (06/05/04)
Antes de chegar à Pampilhosa, mesmo antes da estação, surge a "Cerâmica da Pampilhosa". Poucas vezes me deslumbrei assim com um edifício, um majestoso pavilhão industrial, claramente abandonado. Poucos vidros restam, nalgumas partes o telhado já cedeu, mas a força do conjunto pouco perde com isso.
Tem a incrível característica de se assemelhar a um ser vivo. Nenhum ser vivo apresenta “fachadas” puras, “modernistas”. Um organismo apresenta sempre várias camadas, uma relação harmoniosa de várias superfícies e subsistemas num todo harmonioso e equilibrado.
O material, tijolo-burro, é bastante invulgar em Portugal. Acho que isto justifica parte da surpresa. A grande altura (vários pisos!) da típica nave industrial é atenuada por uma sucessão de tramos horizontais e verticais. Como numa igreja gótica, a fachada lateral permite várias leituras, pois é a intersecção de vários sistemas estruturais.
Depois da estação surgem outros pavilhões abandonados, mas nenhum com a riqueza ou dimensão da “Cerâmica”.