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quarta-feira, maio 26, 2004
OCORRÊNCIAS ciclando pelas vias
Hoje, marcado no calendário, tinha "Dia de Boa Acção Cívica" (ok, é mentira, mas assim foi). Decidi correr os serviços da Câmara da Póvoa e, como bom agente MARI, fazer todos os possíveis para conseguir os meus intentos. Ciclovias, ciclovias, ciclovias, ciclovias, ciclovias, ciclovias, ciclovias, ciclovias, foi o que matraqueei aos ouvidos de três responsáveis de obras municipais. O primeiro foi o mais solidário e conversador; parecia mesmo uma pessoa que também gostaria de ir de bicicleta para o emprego. Um amigão. E parecia boa pessoa, apesar de engenheiro. O segundo era arquitecto. 'Agora sim, vou poder falar tu cá tu lá, usar calão de obra, etc' pensava eu. Pensava, pois. Pensei mal. Era o típico arquitecto 'atípico' que se limitou a mostrar-me onde, no Plano de Urbanização, estavam previstas ciclovias. Muito útil, mas em modo automático. Acho que se lhe perguntasse onde eram as casas de banho ele respondia-me da mesma maneira. O último, arquitecto responsável pelo Plano de Urbanização, falou-me pelo telefone. A conclusão da conversa foi ‘Se quer falar comigo em termos pessoais, é uma coisa, mas em termos profissionais é tudo o que lhe tenho a dizer’. Quando se acabam os argumentos, acabam-se as conversas.
Ainda assim cheguei a algumas conclusões. Já sabia que na Póvoa não há uma utilização generalizada da bicicleta nas deslocações casa-trabalho. Porque não há condições mas, principalmente, porque também aqui o carro é rei. A única forma de haver uma reviravolta tem de vir duma mudança de mentalidades. Quem não usa a bicicleta nas deslocações diárias também não utiliza transportes colectivos. Só quando se usarem ambos se retira o automóvel das ruas. Se não houver uma política de fomento de ambos, isso não acontece. Parece já haver um indício em relação aos transportes colectivos, com a criação das Autoridades Metropolitanas de Transportes (ou qualquer coisa semelhante), que permitem a coordenação entre municípios e promover o uso dos comboios, autocarros, metro, etc. Em relação às bicicletas não há nada. Nunca poderia haver uma política nacional, teria de ser pensada apenas para as zonas mais planas, como é o caso do litoral. Mas sem vontade do governo não há acção.
Também aprendi hoje que a Câmara da Póvoa é, apesar de tudo, um bom exemplo no que concerne a Gestão Urbanística. Estão previstas ciclovias (ainda que só numa perspectiva de lazer), e estão mesmo a ser construídas. A verdade é que, enquanto não formos como a Holanda, não haverá investimento maciço em ciclovias. Elas não podem ser construídas por todo o lado sem que seja assegurada a sua utilização. Assim sendo, a construção das ciclovias para lazer parece-me um bom início. Para mais tarde se fazer mais.
Fui ver a tal ciclovia em construção, entre o Parque da Cidade e o mar. Está previsto no Plano de Urbanização um corredor verde, com circulação pedonal e de bicicletas. Esta zona está a ser urbanizada, e o técnico da câmara (o mais simpático, o engenheiro) disse-me que eles tinham avisado o construtor para prever a ciclovia. Como eu não me acreditava, fui lá ver. Bem, sempre é verdade. O que está previsto nos planos é cumprido, cá na Póvoa. Estou orgulhoso! É uma ciclovia que começa num tabique duma obra e acaba num muro duma casa! Devagar devagarinho…