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segunda-feira, maio 17, 2004
LEITURAS sobre Colmena (1)
Como aviso prévio, escrevo estes comentários sem quaisquer pretensões de conhecedor. Nem desejo escrever aqui algo de académico (nem conseguiria, mesmo tentando). Fiz apenas alguns apontamentos do livro Colmena de Camilo José Cela (Nobel em 1989), e vou partilhá-los com vocês. Porque vocês são fixes.
O livro posiciona-se na Madrid da Segunda Guerra Mundial, mas não vive a guerra directamente, mas através das notícias. Franco já teria instalado o poder absolutista, mas a ditadura está quase ausente do discurso (por alguma razão José Cela era considerado um apoiante do regime). Aparecem apenas apontamentos da recém-criada ditadura, como os filmes censurados, fuzilamentos, o medo da polícia, o serviço militar aterrorizante.
Um dos aspectos que mais me fascinou foi as diferenças com hoje em dia. Porque, em sessenta anos, o Mundo deu uma volta. Rodopiou umas vezes mais do que costume. As mulheres, então, não trabalhavam. Ou trabalhavam em empregos idiotas como mulher-a-dias ou a servir em cafés. Hoje podemos ‘vangloriarmo-nos’ de termos uma sociedade em que a mulher é livre de seguir a sua predestinação. Bem, pelo menos em teoria. Continuando. Os carros ainda não eram de uso comum (felizmente), usava-se o eléctrico e o metro. E os pés. A saúde era uma questão diferente na altura. Hoje em dia assume-se que toda a gente é saudável, até que se diga o contrário. Naquela altura ser tísico era sinal de doença (agora é sinónimo de beleza) e a tuberculose era o equivalente da Sida.
Camilo José Cela, nascido perto de Padron, na Galiza, escrevia em castelhano. Isto é, para mim, uma grande confusão. É como um português escrever em francês. Esta é apenas a minha opinião, mas Cela parecia partilhar das minhas dúvidas. Madrid era, naquela altura um melting pot das várias regiões ibéricas (mas será que alguma vez o deixou de ser?). As personagens vão surgindo, são de toda a Espanha,
Este texto fica a meio –stop- Não tenho condições anímicas para o continuar –stop- Espero voltar a ele rápido –stop-
Colmena