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sexta-feira, março 19, 2004
OBRIGAÇÕES os secretos prazeres do banho de baixa pressão
Ultimamente tenho evitado o banho. O Pocinho tem coisas boas, já o disse, mas o banho... Deus, o banho está podre, as paredes a descacam mais e mais cada dia, a banheira ganha colorações suspeitas e ocres. E a água, infelizmente, tem pouca pressão. Tão pouca, nos últimos tempos, que tomo banho sentado, para aproveitar a pouca força e calor da água. Se levantar um pouco mais o telefone a chamada cai, digo, o calor esvai-se. O banho transformou-se num exercício de cálculo.
À partida ganhei-lhe medo, quase evitava banhar-me para não passar pelo mesmo. Aos poucos surgiram coisas. Pequenas mas que, num crescendo, transformaram a realidade feia do banho sentado numa doce experiência. Passar de um braço para o outro, e sentir a água a banhar pela primeira vez a pele, começando pelo ombro e acompanhando as curvas do braço. A primeira humidade que invade a cabeça, quase uma mão a acariciar-me o cabelo. E ensaboar vagarosamente, criteriosamente, os membros, e senti-los limpos ao passar a água. Lavar a cabeça de cócoras sob a torneira, quando a água invade os cabelos e os alisa, ajudando o amaciador. O calor da divisão, o aquecedor no máximo, o corpo a arder.