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sexta-feira, março 26, 2004
CRÓNICAS carnaval em Viseu II
Do guichê mandam-nos para a Guardia Civil, a Guarda Civil manda-nos para a sub-secção, de lá de volta para o guarda gorducho de novo, o nosso amigo obeso explica-nos detalhadamente porque não podemos fazer queixa, voltámos ao guichê para sabermos o mesmo e o atraso de vida eterniza-se. Antes de bazarmos a fazer manguitos e pissas aos responsáveis da Iberia decidimos experimentar o guichê de perdidos e achados, guichê este que não existia até ao último momento. Lá encontramos uma senhora prestável e eficaz que nos remediou a situação. O b.i. da Carlinha transformou-se num recibo da Iberia, que depois se transformou num recibo da policia de Barcelona. Saturados mas vivos ainda, tentámos deixar temporariamente aquela infelicidade para trás e curtir a cidade.
Foi só no último dia em Barcelona que me lembrei que para viajar na RyanAir era necessário código. Mas esse código tinha ficado no avião, só me restava a internet. Era impossível reavê-lo pela net, e depois de muito stresse e muito suor decidi telefonar. O irlandês que me atendeu era muito simpático e resolveu a minha questão na hora. Mas a RyanAir ainda tinha muito para me surpreender...
(nota mental - lembrar-me de escrever o meile a cascar nos gajos)
Chegámos no dia 18, bazamos para Treviso no dia 22. A Glória, amiga da Carlinha, levou-nos ao aeroporto de Girona, mais um aeroporto RyanAir. Duas horas de antecedência era bem razoável, a bicha (única) nem era muito extensa. A Carlinha e a Glória foram tomar café, eu fiquei com as malas. Parecia mais uma manhã normal de viagem, tudo sobre carris. O que me apercebi, talvez só no fim da viagem, foi não facilitar em nada. Se queremos que as coisas corram bem, temos de estar atentos e intervir. Mas como não fiz nada, quase perdia o avião. Quase sem reparar, foi-se formando um fila paralela à nossa, que ia andando bem melhor, pois eu ia decorando caras das pessoas mais próximas de mim e, quando reparava de novo, elas já iam bem à frente. Cheguei à conclusão que a RyanAir também poupa bastante nos salários, porque contraram um babuíno para fazer o check-in. E não digo isto por a outra bicha andar mais rápido. Quem estava responsável pela minha fila tinha mesmo uma deficiência mental, e grande. Demorava mais do triplo do tempo a fazer qualquer operação simples, e as mais complicadas eram quase impossíveis para ela, e nós a ver as horas literalmente a voar. Isto tudo sob o olhar irado de reprovação da empregada do balcão do lado, que fazia tudo em velocidade de jacto enquanto que a nossa amiga continuava no seu ritmo impassível, isto a meia hora do voo! Quando finalmente chegou a nossa vez, praí a 20 minutos da descolagem, apareceu no ecrã atrás dela um sinal enorme. 'Balcão fechado'. E ainda faltavam umas dez pessoas atrás de nós! A menina atrás de mim explodiu então, a sua candura que já se tinha esvaído há algum tempo desapareceu por completo e foi para a outra fila, destilando impropérios.
Então chegou a nossa vez de enfrentar a Grande Líder da Ordem das Cromas. Se fosse um filme de acção, ela seria uma enviada dum grande mestre ninja que queria apoderar-se do mundo através da monguice. A primeira reacção dela ante a nossa história do b.i. perdido foi 'não se pode viajar sem b.i.!', com um ar de assombro que lhe fez saltar os óculos, e surgiu-lhe uma ruguinha na testa. Só para aumentar a sua confusão, mostrei-lhe o papel passado pela polícia de Barcelona, e o código, que tinha anotado no télélé. Então ela conferenciou com a colega do lado, que já estava 'pelos cabelos' com tanta incompetência, e finalmente disse que sim. Passado uns minutos pediu-me o código. Tive de lhe lembrar que já lhe tinha dado, estava no telemóvel. Lá voltou ela à incrível labuta de fazer o check-in de duas pessoas. Mais uns minutos passaram, devolveu-me o telemóvel para logo a seguir reparar que se tinha esquecido de anotar o código. Ai ui. Depois de nos despachar foi-se candidamente embora, com pessoas por atender e o voo quase a sair! Fomos a correr pelo aeroporto, a detecção de metais ficou a meio, no meio da pista de aterragem tivémos de escolher entre o voo certo, havia dois aviões da RyanAir estacionados. A cândida rapariga que tinha trocado de fila entrou mesmo antes de nós, e isto apesar de que quando mudou de fila tinha ainda cinco pessoas pela frente. Mal me sentei perguntei ao senhor ao meu lado se o avião ia mesmo para Treviso.