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Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
FICÇÕES carta ao Eça publicada no Público (página e jornal) em 11_02_2004: "Caro Eça, escrevo-lhe esta carta com algum atraso, admito. Espero não o fazer tarde demais, pois ouvi uns rumores que teria morrido. Espero que tenha recuperado, pois isso de morrer não faz bem a ninguém. Nunca li um livro seu, com grande pena minha. Tentei ler os resumos da europa-américa de um livro seu muito conhecido, não sei se seriam os maias ou os maiatos, mas não consegui passar da capa, porque adormeci antes. Nunca mais dei com ele porque costumo adormecer à porta de casa por não dar com a chave, e no dia seguinte não me lembro de me levantar, o livro deve ter ficado para trás e o lixeiro levou-o. A minha mulher já leu os seus livros todos, só sou eu a escrever porque ela teria vergonha de dar a cara. Eu até a compreendo, mas não a entendo. Ela via as suas personagens em todos os sítios onde íamos. Na missa, o padre caloiro fazia-lhe lembrar o Amaro, o nosso médico de família era, sem tirar nem pôr, o Carlos da Maia. E um homem barbudo que conhecemos num cruzeiro no Mediterrâneo era o Raposo. Não sei se ela dizia isto apenas para me irritar, mas sempre tive ciúme do amor que ela dedicava à sua leitura e releitura da sua obra, e do interesse que ela tinha para conhecer melhor esses 'sósias' das suas criações. De um momento para o outro passou a ir três vezes por semana à missa, e a confessar-se sempre que entornava um chá. As enxaquecas passaram a ser diárias, e só o facto de a estrada ter ficado inundada a impediu de ir mais vezes ao médico. Por último, criou-se nela uma ideia macabra de passar a vida a cruzar o Mediterrâneo, fazendo a vida dela a partir do paquete. Nem sabia o que pensar. Até que há dois anos recebi uma carta que dizia, singelamente, que tinha conhecido um tal de Ramires, e adeus. Levou apenas o panrico e o aquário de peixes de água-doce. Eça, esteja onde estiver, obrigado por nada."
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