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Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
terça-feira, janeiro 20, 2004
CRÓNICAS férias das férias V Está na hora de acabar estas crónicas, antes que o pouco que ainda me lembro se torne uma memória duma memória. Tenho para com Lisboa uma relação de amor-ódio, de amor e indiferença, de cegueira e clarividência. Mixed fellings. Quando estou cá em cima parece-me a capital dos ricos, dos mal-educados sulistas elitistas, porca, desregrada e turística. Quando lá chego nem todos estes preconceitos se desvanecem, mas a maior parte sim. É uma cidade luminosa e bela, mesmo com céu encoberto e com frio. Tem turistas, é verdade, mas é um prazer andar pelas ruas íngremes do Bairro Alto como se estivéssemos numa aldeia, com as velhas à janela e os vasos nas soleiras. Nesta passagem de ano, Lisboa ia para mim ser muito mais bebedeiras e Erasmus e shots. Fiquei num sítio delicioso em Santos, que consistia em três apartamentos que tinham sempre as portas abertas. Isto resultava numa comunidade internacional de 16 pessoas, e apenas duas eram portuguesas! Nesta passagem de ano, como é óbvio, não estavam lá todos, mas os poucos italianos residentes estavam e tinham trazido amigos. Praí uns doze italianos, ao todo. Tudo bem, eu gosto de italianos. Pena foi os ravioli de merda não terem trazido amigas. Aí gostava deles ainda mais. Um dos italianos, apelidado pelos amigos de Marga, é o maior armário que já conheci. Dois metros bem medidos, ombros larquíssimos, mohawk curtinho e cara de poucos amigos. O Onga era residente, tinha um metro e noventa e cinco e era o que se chama um 'amigo dos amigos'. O Camus era o estiloso, o poeta, e tinha praí um metro e oitenta e cinco. Escusado será dizer que se conheceram os três numa equipa de basquetebol, em Regio Emilia. O misu era um loiro bem-disposto com cabelo curto e casaco de couro. Os outros amigos eram bem mais mediterrânicos, da minha altura ou ainda mais baixos. Marcelo era o conquistador italiano dos filmes, exímio cozinheiro e que só se interessava por duas coisas, 'comer e foder' (nem lhe perguntei por que ordem, mas prontos). Depois havia o Arturo, que era, nas suas próprias palavras, um 'italiano típico', e um outro tipo que tava sempre calado, agarrado a outro qualquer e com aspecto de sono. Adorei estar com estes tipos. Eram mundanos e divertidos, estavam sempre a tocar-se e a brincar. Senti inveja da amizade que eles tinham. De volta ao apartamento. Quando cheguei fui despachado para um quarto dum tipo que de alemão não tinha nada. No que diz respeito a arrumação, pelo menos. Deve ter saído a correr, só pode. O quarto da minha amiga tinha um andaime com a cama por cima. Como os tectos eram altos, ela podia ter uma autêntica sala por baixo. Havia sofás e cadeiras por todo o lado, o que tornava o apartamento bem confortável. Também tinha dois gatinhos recém-nascidos, que tomaram de assalto uma das salas. A minha amiga disse-me que 'eles eram impecáveis, até já faziam as necessidades na areia e tudo!'. Resta saber o que os rebentos entendiam por areia. É verdade que havia um vaso que até tinha areia, mas não me acredito que ela se estivesse a referir a isso. Talvez ela se estivesse a referir ao sofá, local de excelência para eles se livrarem das necessidades. Lá se foi a ideia do 'gatinho de estimação', até porque o dono do meu quarto, o Carsten (sim, eu também fiquei assustado quando ouvi o nome) era alérgico a gatos. Foi uma boa passagem. Vi finalmente o filme "Rocky Picture Horror Show", conheci pela primeira vez uma norueguesa e, melhor de tudo, conheci uma tripeira gostosa chamada Catarina. Ai que ela era gostosa. Tenho de voltar a Lisboa um dia destes...
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