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Este é o blogue do Nuno Gomes, mau futebolista mas incrível jogador de campo minado. Se não quiseres comentar publicamente, não hesites em escrever para aulasdeviolino@lsi.pt. Para consultas urgentes, contactem-me no messenger com aulasdeviolino@hotmail.com. Os meus livros para troca.
terça-feira, dezembro 16, 2003
CONCORRÊNCIA violeta "16/12/2003 00:38 Se está com medo, por que veio? Muito engraçadas as opiniões a meu respeito, a começar pelo post que motivou os comentários. Se tem uma coisa que eu realmente não sou é um farol. Eu não posso "mostrar o caminho" nem da Av.Paulista até a minha casa, eu nunca sei onde eu estou, eu estou sempre perdida, eu sou perdida e isso não é uma metáfora. Não me sigam, porque eu não sou nada que alguém possa desejar ser: eu sou pobre, me visto mal, sou socialmente incompetente, não sei conversar sobre trivialidades, não sei me sentir à vontade entre estranhos, não sei esconder o quanto me sinto extremamente tímida, vulnerável e inferior diante de certas pessoas intimidadoras. Odeio ser tão sensível, odeio ser tão vulnerável, odeio não conseguir enxergar felicidade onde todo mundo enxerga, odeio o fato de que minha suposta inteligência é tudo o que eu tenho. Odeio tudo a meu respeito. Eu me odeio. Eu não estou "brincando de rebeldia". Eu sempre fui assim, nunca me esforcei pra isso. Eu nunca fui igual às outras pessoas e sempre me esforcei de forma absurda pra me comportar igual a todo mundo. Eu não sou histriônica, eu falo pouco. Muito pouco. Falo pouco e falo baixo. Sou irritantemente calada e silenciosa. Mas, ainda assim, incomodo muito. Talvez porque eu seja melancólica demais. Ninguém gosta de pessoas melancólicas. Sofrimento é bonito no cinema e na literatura, mas, na vida, as pessoas querem alegria. Alegria que eu só tenho quando finjo e quando bebo. Portanto, eu não sou uma boa companhia e ninguém jamais conseguirá conviver comigo, porque minha presença é um fardo. Eu não sofro e tento me cortar porque eu não sei o que fazer com minha liberdade, mas porque eu sou uma mulher doente num mundo doente. Eu sou o próprio homem elefante do filme do Lynch, eu sou uma deformidade, uma aberração. Não existe, no mundo, um lugar para alguém como eu e não há ninguém capaz de enxergar o que se esconde por trás de minha monstruosidade. Não me leiam, não me leiam, não me leiam." Esse foi o primeiro texto que li do violeta hardcore (que era o primeiro da lista, ou seja, o último a ser escrito). Acho que, começando a ler um blogue logo por este texto, só dá vontade de continuar a ler. Estou-vos a escrever isto tendo apenas lido este texto, mais nenhum, e já estou a recomendar o blogue! Mas vão lá e leiam, nem que seja para me desmentir. Esta mulher, como eu, é "normal". Não consegue viver num mundo mainstream. Vive em constante conflicto com ele. É sua inimiga confessa. No entanto, parece-me que ainda não conseguiu, como eu, estar em paz consigo própria. A paz interior de alguém é algo bem difícil de conseguir. Eu não conheço essa violeta. Não sei qual o aspecto dela. No meu caso, devo admitir, foi fácil chegar a acordo comigo mesmo. Foi durante a faculdade. Talvez a primeira altura da minha vida em que comecei a ser respeitado pelos meus pares. Em que comecei a ter amigos verdadeiros. Bons amigos. Onde as minhas ideias e feitos começaram a ser elogiados e apreciados. Aí comecei a gostar de mim mesmo. 'Se não gostares de ti, quem gostará?' Assim, sem hipocrisia, comecei a ver as minhas qualidades e a gostar delas (das qualidades; das miúdas sempre gostei). Sou um tipo atraente. Nunca tive problemas económicos. Os estudos sempre me correram bem. Não tenho doenças graves. Gosto das coisas que faço enquanto arquitecto (só projectos, ainda). Gosto de achar que, não sendo uma pessoa inteligente, consigo ser inteligente e bom em relações às coisas que me atraem (arquitectura, escrita). Eu sou assim. Acho que foi fácil. Mas para certas pessoas deve ser difícil. Pessoas feias. Pessoas gordas. Pessoas sem sucesso profissional. Pessoas renegadas pelos outros a vida toda. Costumo pensar que todos somos bons em 'algo'; alguns ainda não descobriram esse seu 'algo'. O que não quer dizer que não devem gostar de si próprias. Todos temos uma riqueza interior muito específica. Todos temos a nossa beleza. Estar vivo é lindo. Conhecer outras pessoas é tão bom! Amar! Se não houvessem blogues, haveria ainda um grande número de pessoas a pensar que seriam óptimos escritores, mas sem saberem por onde começar. Sempre quis escrever um livro, e agora que comecei o blogue, muito mais. Mas, para as pessoas que referi anteriormente, haverá (se calhar) ainda coisas por inventar em que elas sejam boas. Ou já existem e elas ainda não as descobriram. Quando me sinto mal comigo próprio, costumo pensar algo assim: 'Como posso estar chateado? Há tantas pessoas com problemas a sério que conseguem viver as suas vidas!'. Acho que isto diz muito.
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