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terça-feira, novembro 04, 2003
RECORRÊNCIAS decisões políticas, voto de bancada Para que servem estas definições? De que nos serve um sistema democrático, onde as decisões são supostamente tomadas tendo em conta os prós e os contras, os factores económicos, etc., se de quando em vez existem decisões que são justificadas como "decisões políticas"? Ou quando a bancada de um partido decide instituir algo como uma "disciplina de voto" (que é o mais normal) e todos os membros da bancada têm de votar igual? De que serve existirem partidos constituídos por diferentes pessoas de diferentes zonas do país com sensibilidades diferentes, se todos votam igual? Não consigo perceber situações em que, à revelia dos partidos, deputados de regiões que são de certa maneira afectadas por uma lei, votam contra ou a favor dessa lei (como nas aprovações do orçamento de estado, onde o deputado Daniel Campelo votou a favor do orçamento de estado de forma a ser favorecido o seu concelho, mas com este favorecimento explícito do seu concelho, prejudicou certamente outras zonas do país - há uns mais portugueses do que os outros???). Voltando à ideia de "decisão política": como é possível prolongar-se a A4 até Bragança apenas porque foi prometido? Ou criar concelhos (dividindo cada vez mais o país, quando a lógica seria de o unir cada vez mais) por razão de promessas eleitorais? Este último processo de criação de concelhos foi tão rocambolesco que felizmente foi anulado pelo Presidente da República. Ora recapitulemos: Fátima e outro sítio que já não me lembro seriam concelho (Fátima atingiria o ridículo de ser um concelho de só uma freguesia); haveria ainda outro sítio que seria concelho, por promessa eleitoral do PS. No entanto, Esmoriz (do círculo eleitoral de Aveiro, por onde Paulo Portas foi eleito) não passou. Paulo Portas, pelos vistos, ficou tão chateado por o seu concelhozinho não ter sido criado que conseguiu anular a aprovação do novo concelho prometido pelos socialistas! Se isto não é um escândalo, não sei o que será... Isto tudo como interlúdio para a principal questão: o Museu do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Toda a gente conhece o imbróglio que envolveu a descoberta das gravuras, mas não custa relembrar. Nos trabalhos de prospecção arqueológica relacionados com a construção da barragem no rio Côa, descobriram-se as já muito afamadas gravuras rupestres paleolíticas. O governo PSD pretendia construir na mesma a barragem, lançando a ideia louca de cortar as gravuras e colocá-las num museu. Pouco depois houve eleições que levaram à vitória dos socialistas que decidiram parar a construção da barragem e criar uma estrutura (o parque arqueológico, onde trabalho) que permitisse a manutenção das gravuras no seu entorno natural e regular as visitas aos sítios. Também foi prevista a construção de um museu, cuja localização foi decidida para um dos rasgões deixados pelo "futuro" paredão da barragem. Este museu tinha várias valências: para além de servir como estrutura museológica de apoio e recepção dos visitantes do parque, permitia, através de um funicular, fazer a ligação com o rio, onde existiria um cais, e "taparia" o rasgão deixado pela barragem, com claros benefícios para a paisagem. O projecto está pronto para ser construído. Com a entrada em cena do novo governo PSD, estes, para não "perderem a cara", decidiram a construção de um novo museu, ignorando todo o esforço já investido no projecto do museu no rasgão (para não falar do dinheiro que o projecto já tinha absorvido). Assim sendo, escolheu-se um novo sítio, para o qual foi necessário efectuar expropriações e afins, e um novo projecto, deitando por terra um projecto perfeitamente válido e que seria também essencial para cicatrizar a paisagem descaracterizada pela construção da barragem. E isso não é nada fixe! Nada mesmo... P.S. Eu tenho noção que a decisão do PS de parar a construção da barragem foi também decorrente de uma promessa eleitoral, mas foi uma decisão ponderada pois, para além de ter salvo património inestimável, criou uma estrutura (o parque arqueológico) ímpar a nível mundial e com um esquema de preservação/visita das gravuras que se tornou uma referência. Podemos ser um país pobre em relação ao qual esta barragem poderia fazer falta, mas pelo menos dessa vez o governo tomou a decisão certa.
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