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domingo, novembro 23, 2003
ARQUITECTURAS perigos urbanos O Expresso noticiava, há uma semana, na secção de imobiliário, que a Câmara de Torres Vedras pretendia facilitar a construção de moradias no meio rural. No Expresso de ontem falavam dos vários projectos aprovados e já em curso dentro e nas proximidades do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, fora de perímetros urbanos. As autarquias portuguesas parecem obcecadas com a ideia de licenciar projectos a eito, baseados numa palavrinha que parece ser a justificação para tudo: progresso. A maior parte das vezes, misturam progresso com qualidade de vida. Há uma ideia consensual entre os arquitectos: o futuro está nas cidades; e as cidades querem-se densas. Densas e com mistura de funções. Existe no entanto no subconsciente geral a ideia de que a densidade é inimiga da qualidade de vida! Os centros históricos são invariavelmente densos, mas existe lá um pouco de tudo. Não é preciso ir muito longe para se arranjar o que se quer. A pé. No entanto, a nossa cultura auto-movida baseada na vida suburbana quer habitações mais baratas, mas é contra a profusão indiscriminada de prédios, as chamadas "florestas de betão". No entanto, quanto mais prédios houver, mais barata fica a habitação. Mas nunca mais teremos paisagem. É uma questão de escalas. A área metropolitana do Porto já não tem paisagem. As cidades não têm fim. Em Foz Côa, situada numa das zonas menos densas do país, a cidade estende-se muito para além do necessário. Para além de existirem muitas casas desocupadas, todos têm a sua vivendazita. Uma cidade assim é cara e ocupa mais do que devia. Cidade é cidade, paisagem é paisagem. Na Porto e em Foz Côa, a situação é igual, com uma escala diferente: numa já não há paisagem, na outra começa a deixar de haver! Claro que Foz Côa nunca terá tanta gente como o Porto, mas dentro daquelas densidades, pode-se ainda perder muito, se não forem tomadas medidas! Atitudes como a da Câmara de Torres Vedras e das autarquias da costa vicentina não são compreensíveis. O que as zonas rurais têm de bom é exactamente o facto de serem rurais, de haver pouca ocupação. O vale do Ave já não é rural, mas também não é urbano. Não é paisagem nem é cidade. É o típico pensamento português: todos querem ter o seu bocadinho de campo, mas assim já não é campo! Na Holanda já há muito tempo que regulamentaram esta situação: apesar de ser um dos territórios mais densos do mundo (Portugal também o é, mas menos do que a Holanda), lá existe campo e existe cidade. A cidade para viver, o campo para passear! Cidades densas, campo aberto. Uma equação tão simples como esta é assim tão difícil de entender? Vou-me tornar holandês... :) Um dos maiores problemas destas expansões descontroladas é ocuparem-se terrenos impróprios para construção. Zonas declivosas, zonas de cheia, zonas de aterro. Isto é muito perigoso, e está a ser feito por todo o lado! É por isso que sou um grande fã das demolições (mas antes, proibir novos erros). Se não se demolir, dá-se azo a que se faça mal à semelhança do anterior. Se houver uma moradia a ser construída numa zona rural, sem permissão para construção por estar em reserva agrícola, a obra tem de ser parada na hora em que for descoberta. E demolido o que já existir. Se não, o dono do terreno da frente também constrói. E ninguém lhe faz nada porque a obra já está feita quando chega lá o fiscal. E mais cinco donos de terrenos à volta também começam a construir, desta vez já sob o capote legal, por já existirem lá casas. A demolição é a melhor acção para demonstrar que o estado castiga quem não cumpre as regras. Se não se demolirem o prédio Coutinho em Viana do Castelo e as torres de Ofir e o Shopping Cidade do Porto, quem neste momento estiver a fazer construções ilegais pensa que se vai safar. Depois de construído, ninguém lhe toca. Demolir e obrigar o dono da obra a pagar a demolição. Esse é o caminho.
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